Cultura & Comércio

Wilson Otero
E Tenho Dito!
Colunista
Wilson Otero
José Raimundo
Crônica Do Leão
Colunista
José Raimundo
Fernando Wardi
Nossa Terra
Colunista
Fernando Wardi
Maria Das Graças Babá Reis Couto
Comportamento
Colunista
Maria Das Graças Babá
Clemer Gouvêa
Culinária
Colunista
Andrea Otero
José Guedes
Coluna Do Zé
Colunista
José Guedes
Maria Efigênia
Histórias Para Pensar
Colunista
Maria Efigênia
Leo Marques
Bafônicas
Colunista
Leo Marques
Wesley Fortes
Semana na Câmara
Colunista
Wesley Fortes
Leo Alves
Seu Direito
Colunista
Leo Alves

DAR PRESENTES

E-mail Imprimir PDF
Esse ato é perpetuado no mundo todo e revela valores básicos das diversas  sociedades. Para nos brasileiros que gostamos de presentear e que envolve todos os atos de um valor humano, é o exemplo clássico da reciprocidade Ao entrar numa loja, as coisas expostas são apenas mercadoria até o momento de serem escolhidas para presentear alguém. Como somos instruídos a utilizar critérios, tipo: a data, idade, sexo, proximidade social, preço, originalidade, nos levando a escolher o presente certo para aquela pessoa, condizente com a data a celebrar. Daí não é mais uma questão apenas material, é um conjunto de mensagens que está sendo passado junto com o objeto ofertado.
A reciprocidade é também registrada ao receber visitas de outras cidades, de outros estados. O anfitrião os recebe com mesa farta, hospedagem, tudo o que é necessário para o conforto de sua estada. Num próximo encontro, a situação se inverte: aqueles que hospedaram serão recebidos. Aí se aprende o ritmo da troca: dar e receber são dois lados da mesma moeda. 
Às vezes ouço comentários de como as datas comemorativas se perderam com a imposição de presentear: Natal, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças... Realmente a sociedade de consumo transformou o presente meramente numa coisa material. Porém, isso não vingou na realidade. Basta deixar de dar presente nessas datas e lá vem o comentário ressentido: “Puxa, não custava nada uma lembrancinha!” Isso evidencia que o presente não tem apenas a dimensão material, não está subjugado às imposições do comércio ou da propaganda. É fundamental recordar, lembrar as datas e expressar os sentimentos nessa troca de agrados.
No Brasil,a nossa sociedade dá muito valor às relações e tem a informalidade como traço marcante. O cartão não é considerado presente e isso revela uma característica brasileira: fazemos parte de uma sociedade oral. Em vez de escrever, telefonamos ou expressamos nossas emoções pessoalmente. O que importa para o brasileiro é a qualidade do conteúdo e também a intenção com que o presente é dado. Já no Japão, cultura movida a presentes, a apresentação é tão importante quanto o que há dentro do pacote. O ato de presentear é muito refinado, obedece a regras muito rígidas, e todas as formalidades devem ser cumpridas para que a oferenda agrade. Os ingleses avaliam o prestígio pessoal pelo número de cartões recebidos no aniversário. Lá, “o presente é dispensável.” Nos Estados Unidos, as papelarias são estonteantes. Há cartões de todos os gêneros, para todas as situações: chegada de viagem, inauguração da casa nova, emprego novo etc.
Há uma tendência, que pode ser incluída na chamada Nova Era, onde as comemorações são mais individualizadas e não correspondem necessariamente às datas do consumo de massa. Numa perspectiva mais espiritualizada, as pequenas alegrias e o fato de estar vivo sempre são bons motivos para celebração.

( 0 Votes )
 
You are here: Home Matérias Comportamento DAR PRESENTES